Daniel Brandão
Nome
Daniel Brandão Mariani
Data de nasc.
16/06/1989
Local de nasc.
Estância Velha - RS
Profissão
Enxadrista
1. Como, quando e/ou por que conheceu o xadrez?
Conheci o jogo aos 8 anos, ao ver minha irmã jogar com uma amiga. Observando aprendi as regras e joguei apenas algumas partidas até meus quinze anos, mais precisamente em fevereiro de 2005, quando realmente me interessei pelo jogo. Em pouco tempo "descobri" os livros e os torneios, e joguei meu primeiro torneio em junho de 2005 (Internacional Parque Águas Claras, Matinhos). A experiência foi bastante dolorosa, mas foi a partir dela que me propus a treinar e me desenvolver.
2. O que o xadrez significa hoje pra você?
Para mim, muitas coisas. Posso dizer que é minha profissão, por trabalhar pelo desenvolvimento da modalidade em várias atuações (professor, instrutor, árbitro, manutenção do Clube, etc.). Pode ser também meu lazer, pois muitas vezes uso o estudo e a prática como entretenimento ou brincadeira. Mas, acima de tudo, valorizo o xadrez mais como um desafio, uma ferramenta para desenvolver a mim mesmo em vários aspectos: é difícil estudar para ficar mais forte, é difícil tomar decisões enquanto se joga, é difícil competir e sobreviver aos altos e baixos das competições. Ver o xadrez como eu vejo, como arte (no sentido amplo) e luta, exige muito de mim e essa exigência me força a me tornar melhor e mais forte.
3. Quais acontecimentos lhe marcaram no xadrez (torneios, eventos e/ou partidas, etc.)?
Há muitas coisas para citar aqui, mas vou citar alguns momentos que foram excepcionais por seu efeito em mim:
- Meu primeiro torneio, o primeiro (e doloroso) contato com o xadrez competitivo;
- A última rodada dos JASC 2007, que ainda hoje conto como um episódio épico pela forma como a determinação leva a superação;
- O término da última rodada do Zonal Catarinense 2009 - ganhar o torneio sem pensar no resultado, apenas me esforçando para jogar bem, fez brotar uma sensação muito rara, que não sei descrever;
- Os dias em Vitória, durante a semi-final do Camp. Brasileiro, que me deixaram bastante fragilizado, estimularam uma maturidade enxadrística que até então eu não possuía;
- Por fim, o momento em que eu e o Pomar, após o término de nossas partidas, encontramos o Umetsubo no salão dos JASC 2009 e este nos disse que havia vencido o Disconzi - confirmando a vitória improvável contra a equipe de Joinville.
4. Qual(is) livro(s) você mais gostou de ler?
Um livro que foi muito importante para mim foi um presente da Sílvia Silveira (professora de xadrez de Curitiba e ex-campeã brasileira de categoria): Meus Grandes Predecessores Vol. 1, de Garry Kasparov. Um dos poucos livros que li do começo até o final, que me auxiliaram tanto pelo conteúdo técnico quanto pelas reflexões que desenvolvi a partir do ponto de vista do autor.
5. Como você definiria seu estilo?
Penso que é um equívoco definir o estilo de um jogador baseado apenas no tipo de posição que ele gosta de jogar. Para mim o estilo de um jogador é definido em primeiro lugar pela forma como ele vê o xadrez, o que o jogo significa para ele. Depois, também há a forma como ele desenvolve sua técnica, a sua maneira de pensar em xadrez, como ele se porta durante a partida, etc. Levando isso em consideração, as outras respostas definem por si meu estilo.
6. Qual(is) jogador(es) você mais admira? Por quê?
É difícil apontar um ídolo no xadrez que admiro enquanto pessoa. Se tivesse que apontar um seria Anand, que demonstra um espírito aguerrido e ao mesmo tempo inigualável humildade e amistosidade, mas ainda assim é algo suspeito de se afirmar porque seria preciso conhecê-lo mais de perto para saber se ele é realmente quem faz parecer. Para essa pegunta, prefiro dizer que admiro os anônimos e famosos que se esforçam em cada canto do mundo para disseminar o xadrez, desenvolver talentos e dedicam suas vidas e poder de criação ao jogo.
7. Se você pudesse escolher qualquer jogador (de qualquer época), para ser seu assistente/instrutor, quem seria?
Certamente escolheria Mikhail Botvinnik. Seu estilo metódico e crítico se encaixaria perfeitamente com a minha forma de ver o xadrez, ainda que não seja igual. Em segunda instância, Mark Dvoretsky, por sua incrível capacidade de desenvolver concepções lógicas e explicá-las de forma conceitual.
8. Quais ferramentas você usa para desenvolver suas habilidades e qual você prefere?
Eu não posso dizer que tenho um estudo discilplinado, voltado para o desenvolvimento de habilidades, compreensão e conhecimento, embora recomende isso sempre. Leio tudo que me desperta interesse (livros, revistas, artigos), mas dificilmente estudo um material do começo ao fim. De uma forma geral, acho que dentre as ferramentas que utilizo para me desenvolver a análise das minhas próprias partidas é a mais útil.
9. Quanto tempo você dedica ao xadrez?
Entre uma atividade e outra, posso dizer que metade do tempo em que estou acordado (e um pouco do que estou dormindo!) estou fazendo algo relacionado a xadrez, seja estudando, jogando, ensinando, trabalhando pelo Clube, etc. É um modo de vida que não recomendo, porque às vezes ficamos saturados de fazer a mesma coisa. Até agora, apesar de alguns períodos curtos de menor envolvimento, a paixão pelo jogo tem se renovado continuamente.
10. Quais são seus planos no xadrez, hoje?
Posso apontar 3 objetivos para minha "carreira" de enxadrista: desenvolver o ambiente enxadrístico ao meu redor (onde quer que eu esteja), fazer do xadrez uma profissão rentável e alcançar força de Mestre Internacional.



